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O processo de doação |
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A falta de conhecimento sobre este assunto faz com que o número de dadores de medula óssea seja insuficiente para atender às necessidades de transplantes.
1. O QUE É A TRANSPLANTAÇÃO DE MEDULA ÓSSEA?
A medula óssea é o “tutano” ou tecido esponjoso que se encontra no interior dos ossos, onde se produzem os vários elementos do sangue e do sistema imunitário: glóbulos brancos ou leucócitos, glóbulos vermelhos e plaquetas. Cada uma destas células tem funções de grande importância na manutenção da saúde do organismo. Ao contrário do que pode parecer, a transplantação de medula óssea não implica uma intervenção cirúrgica ou operação. É feita como uma transfusão de sangue, dada através de um tubo ou cateter colocado numa veia. As células transplantadas circulam no organismo do doente e vão instalar-se nos locais que mais favorecem o seu desenvolvimento, ou seja o interior dos ossos Quando surge uma leucemia, a produção de glóbulos brancos fica descontrolada pelo processo maligno ou cancerígeno que afecta estas células. O funcionamento da medula óssea saudável torna-se cada vez mais difícil, diminuindo progressivamente a produção de células normais, dando lugar ao aparecimento de anemia, infecções e hemorragias que levam à morte do doente se a situação não for tratada . Este tratamento é feito com quimioterapia, que consiste na utilização de várias combinações de medicamentos bastante tóxicos mas que conseguem, em muitos casos, controlar a doença. Dependendo do tipo de leucemia esse controle pode ser temporário ou permanente. Os doentes a quem a quimioterapia oferece apenas um controle temporário da doença são aqueles que podem beneficiar de uma transplantação de medula óssea
2. ALÉM DAS LEUCEMIAS HÁ OUTRAS DOENÇAS EM QUE A TRANSPLANTAÇÃO PODE SER NECESSÁRIA?
Sim, muitas outras doenças do sangue e do sistema imunitário têm sido tratadas com transplantação de medula óssea. A lista dessas doenças é muito grande e em todas estas situações os procedimentos são semelhantes, aplicando-se o que é referido ao longo deste texto.
3. QUEM PODE SER DADOR E QUE TIPOS DE TRANSPLANTES HÁ?
Em geral, o dador é um familiar do doente, quase sempre um irmão, ou irmã, designando-se este tipo de transplante por transplante alogénico.Um transplante alogénico pode também ser feito com um dador voluntário inscrito num registo de dadores voluntários de medula óssea.
Existem vários registos internacionais de dadores, são pessoas saudáveis que se disponibilizam, de uma forma anónima e gratuita, para dar medula óssea e assim poder salvar a vida de doentes cuja única esperança de sobreviver é um transplante de medula.
Em Portugal existe também um registo de dadores voluntários chamado CEDACE, que tem contribuído de forma importante para o tratamento de numerosos doentes. Em algumas situações o doente pode ser o seu próprio dador, ou seja faz-se um autotransplante com células colhidas no momento mais favorável da doença que se conservam congeladas até à altura de serem utilizadas.
4. O TRANSPLANTE É FEITO SEMPRE COM CÉLULAS DA MEDULA ÓSSEA?
Não necessariamente. É possível colher células para transplante a partir de uma veia periférica, por exemplo do braço, sem que o dador tenha de ficar internado no hospital. As células são colhidas por uma técnica chamada citaferese: o sangue vindo da veia do dador circula através de um aparelho chamado separador celular que remove apenas as células necessárias para o transplante, devolvendo as restantes ao dador.
Para que esta técnica seja possível é necessário que o dador faça um tratamento com injecções subcutâneas durante 4 dias de forma a permitir a passagem das células da medula óssea para o sangue e a sua colheita através do separador celular. Em alguns casos é também possível fazer o transplante utilizando sangue do cordão umbilical colhido quando o bébé nasce. Este sangue é muito rico em células com a capacidade de regenerar a medula óssea e têm-se formado bancos de sangue de cordão umbilical em diversos países que possibilitam a sua utilização quando o conjunto de circunstâncias sugere que um determinado doente pode beneficiar desse tipo de transplante
5. COMO É FEITA A PREPARAÇÃO DOS DOENTES PARA O TRANSPLANTE??
Antes do transplante o doente e o dador são cuidadosamente avaliados, através de consultas e exames próprios para cada um. Em seguida o doente é internado e recebe um tratamento com quimioterapia intensiva, ao qual se pode associar radioterapia, e que tem por objectivo eliminar a medula doente. A esse tratamento chama-se A resistência do organismo fica muito diminuída e é necessário internar o doente por um período de 6 semanas, pelo menos, durante o qual vai necessitar de antibióticos e outros medicamentos, além de transfusões frequentes. A medula do doente é destruída pelos tratamentos referidos e a recuperação será feita pelas células vindas do dador
6. O QUE ACONTECE DEPOIS DO TRANSPLANTE?
Depois do transplante podem surgir várias complicações, que são diferentes de doente para doente. Algumas, como a perda do cabelo, são temporárias. Outras, podem ser de maior ou menor gravidade e necessitam de uma equipa de transplantação com experiencia para serem ultrapassadas com sucesso.
Nas semanas que se seguem ao transplante os glóbulos brancos diminuem bastante e podem chegar mesmo a desaparecer, o que explica o risco aumentado de infecção.
Os glóbulos brancos, assim como as plaquetas, recuperam nas 3 semanas que se seguem ao transplante e o doente poderá ter alta após um internamento de 6 semanas. Durante o período em que se encontra internado, vai necessitar de frequentes transfusões de sangue e plaquetas e fará tratamentos com vários antibióticos para prevenir ou tratar as infecções que possam surgir 3 semanas, os familiares e amigos do doente podem colaborar de uma forma muito activa na sua recuperação como dadores de sangue ou plaquetas, tão necessárias à sobrevivência do doente durante este período crítico. Ao contrário do que acontece com os glóbulos brancos, o sistema imunitário recompõe-se muito lentamente o que faz com que a susceptibilidade às infecções persista durante vários meses, mesmo com valores de glóbulos brancos normais nas análises. Assim não é recomendável retomar o trabalho ou regressar à escola nos 12 meses que se seguem ao transplante doença do enxerto contra o hospedeiro é uma complicação exclusiva dos doentes que fazem um transplante alogénico e deve-se às diferenças que existem entre o dador e o doente, que podem ser reconhecidas pelo sistema imunitário do dador. As células do dador que vão ser dadas ao doente incluem linfócitos na sua composição. Estes linfócitos vão reconhecer as diferenças existentes entre os 2 e podem originar aquilo que se chama doença do enxerto contra o hospedeiro.
As manifestações da doença do enxerto contra o hospedeiro variam de doente para doente e a sua gravidade é igualmente variável. Há casos, felizmente raros, em que a doença adquire uma gravidade que pode ser fatal. Embora o transplante permita muitas vezes curar uma doença que por outro processo não o era, não deve ser encarado como uma garantia de cura a 100%. É sempre possível que a doença volte a surgir, isto é, que haja uma recaída embora com o passar do tempo esta se torne cada vez menos provável.
Tudo o que acima ficou dito mostra muito claramente que os doentes necessitam de um acompanhamento médico regular não só durante o internamento mas depois de terem tido alta. A frequência das consultas depende muito de cada caso e 2 doentes transplantados com poucos dias de intervalo podem ter necessidades muito diferentes.
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